Daqui eu vejo um céu cinzento,
que,
de lamento,
parece chorar
com toda a força,
com dor no peito,
que chega até a nos assustar.
Mas, molha as nossas almas,
traz de volta a esperança
e a lembrança
de uma noite chuvosa de novembro.
Faz, com o caos e a calma,
nas voltas das minhas andanças,
com que a doce fragrância
daquela doce primavera
volte a vibrar.
Daqui eu vejo
o balé mágico destes pinheiros
que coreografam em perfeita sintonia
em meio à trágica ventania,
conservando a beleza de seus troncos fortes,
das suas úmidas folhas,
da imponência confiante de suas copas
e do frescor que lançam
sobre nossas vidas.
Daqui eu vejo,
correndo feito loucos,
os rios que, aos poucos,
desaparecem,
se escondem,
mas que carregam consigo
as glórias dos anos e
os galhos de velhos pinheiros,
desgastados com o tempo
mas igualmente cheios de histórias.
Daqui eu vejo,
de rabo de olho,
os olhos que ela insiste em mirar
nos meus olhos.
E é para cá
e é para lá
e é o Paraná a surgir em nosso caminho,
quando o céu resolve se abrir
como uma flor
em um novembro cheio de sol.
Escrito em janeiro de 2012
Sugestão de música: Trivial
Artista: Vinícius Calderoni
sexta-feira, 2 de março de 2012
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Chamem o Don King!
Brigas. Duelos pessoais. Xingamentos gratuitos. Sangue, violência, bolas de papel assassinas. Pessoas com o sangue fervendo nas ruas, loucas para matar aqueles que pensam diferente delas mesmas. Carnificina. E os projetos?
Não existem projetos. Pessoas votam pela paixão. É o coração que fala na hora de votar. Apertar o botão verde é assinar a declaração de amor pelo candidato. Ou a paixão passageira do verão (ou da primavera). Não importa nada mais na hora H. Vendem produtos na TV. Bonecos que aprenderam a sorrir, que passaram por transformações íncriveis, que apresentam novo design mas que continuam vazios e de plástico como sempre.
E em tempos em que o que mais precisamos é ter respeito pelas pessoas, amando o próximo, deixando o ódio de lado, o que vemos é uma eleição suja, totalmente brutal e desrespeitosa. É a futebolização da política. Não existem eleitores, mas sim, torcedores. Organizados. Com clubes que arrecadam muito dinheiro, talvez suficiente para transformar os cidadãos (ou boa parte deles); que se aproveitam das brechas da nossa justiça para arrecadar cada vez mais e investir cada vez mais em um marketing malévolo e vazio, que tornará os rivais em inimigos, talvez mortais. As cores do adversário podem provocar ira, fúria, cólera nas pessoas. Menos amor. Menos o respeito às diferenças. Menos os ensinamentos que aquele hippie sangue bom de 2010 anos atrás nos trouxe.
Como pretendemos mudar as coisas, nutrindo tanto sentimento ruim em nosso coração? O rico goza ao ver o pobre morrer de fome, enquanto o contrário o mesmo o faz ao ver a situação inversa se desfazer em ruínas.
Somos todos iguais. Independente do que somos, cremos, fazemos... precisamos de paz. Precisamos enxergar a beleza da vida, o brilho no olhar das pessoas, sentir a tão boa sensação de um "obrigado" ou de um "bom dia" verdadeiro. Sentir que pode existir um mundo realmente melhor. Sentir que ter atenção pode significar muito mais para uma pessoa do que qualquer outra coisa.
A política passa, o mundo continua. E só o nosso amor é o que realmente pode mudar alguma coisa.
Pra todo caso, chamem o Don King pra empresariar este embate tão desnecessário.
Sugestão de música: Solo le pido a Dios (Eu só peço a Deus)
Artista: León Gieco; versão em português por Beth Carvalho e Mercedes Sosa.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Comunicado intergalático
Até quando vocês, seres humanos, acharão graça dessa vidinha que levam, acreditando que são a espécie mais especial do universo? Talvez Deus já tenha desistido de vocês, pois deve ter encontrado em algum lugar, em outras galáxias, seres que são mais interessantes e que sabem como viver em sociedade.
Sejam felizes com seus rios de sangue, com suas pessoas doentes e famintas e sua estranha mania de acreditar que realmente vocês valem alguma coisa.
E demovam-se da ideia de habitar outros planetas, pois não queremos contaminação.
Fodam-se! Shhhhhhhhhhhhh!
Sejam felizes com seus rios de sangue, com suas pessoas doentes e famintas e sua estranha mania de acreditar que realmente vocês valem alguma coisa.
E demovam-se da ideia de habitar outros planetas, pois não queremos contaminação.
Fodam-se! Shhhhhhhhhhhhh!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Copa do Mundo 2010... que soprem as vuvuzelas!
"A África do Sul (hic) é logo ali"
Fernando Vanucci, há quatro anos atrás, mostrando que tinha razão.
FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!
Fernando Vanucci, há quatro anos atrás, mostrando que tinha razão.
FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM!Esta semana começa um dos eventos mais vistos no mundo. Centenas de milhões de nações, planetas, galáxias... todos sintonizados no torneio esportivo mais importante da história universal. Um evento cheio de emoções, onde as todas as raças e todas as crenças se encontram, onde o patriotismo está estampado no peito, na testa, nas vestimentas dos apaixonados pelo esporte bretão; um evento onde todos tem o coração batendo ao mesmo tempo, onde o sangue corre a milhão nas veias das pessoas; um evento cheio de hipérboles, metáforas e exageros.
Não estou nada empolgado com a Copa do Mundo. Não sei se é um misto de decepção pelo nosso anão ter se "esquecido" dos nossos craques (Neymar, Ganso, Hernanes, Elias... será que não são bons o suficiente?), ou se é porque só se fala nisso e não dá tempo nem de aguçar as emoções, ou se ainda é porque nossos representantes são todos cidadãos de outros países e não temos o mínimo de identificação com eles. O certo é que a Copa não mexe com meus ânimos.
Não tenho acompanhado nada de futebol ultimamente (tirando meu Glorioso Santos, com muitas ressalvas), mas se for pra apostar (não, eu não aposto. É só figura de linguagem.) eu aposto na Espanha pra ganhar. Não sei metade do plantel da Fúria, mas tá na hora de ganharem algo. Ainda mais com a premiação "modesta" que a Federação prepara para os atletas, caso venham a erguer a taça.
Portugal pode ir longe também. Ou não. Torcerei pelos gols do Liedson. E que o Cristiano Ronaldo cultive um portentoso bigode e abra um açougue ou uma padoca para que finalmente possamos acreditar que ele é um legítimo português. E que este jogador de melhores momentos do youtube e dos jogos de Playstation possa justificar a fama de jogador caro.
A Holanda é uma aposta boa também. Não que eu conheça os atletas ou acompanhe os campeonatos europeus pra saber a quantas andam jogando os convocados, mas a camisa laranja da Neerlândia impõe muito respeito nos seus adversários.
Enfim, não crio expectativas sobre a Copa. É um grande evento, sem dúvidas. Irá render gazilhões de dinheiros para muita gente, atenções de diversos lugares que deixariam Ford Perfect cheio de curiosidade por conhecê-los, mas que já está me torrando os miolos, com tanta notícia sobre ela que me sinto num estádio lotado com 200 mil pessoas soprando vuvuzelas.
Ah, só pra não esquecer: coitada da Jabulani. Tão bonita, levinha, com todos os cuidados pra agradar pés e mãos de jogadores na copa e malandro reclamando dela. Queria ver esses caras chutando bolas de couro costuradas a mão, pesando quase 1 kg, cabeçeando-as sem medo. Quanto mais esses caras ganham, mais arrumam motivo pra justificar um possível fracasso. Lamentável!
Sugestão de música: Hino Nacional Brasileiro
Artista: Vanusa
sábado, 5 de junho de 2010
Velhos tempos, novos tempos
Chova, meu grande irmão!
Que a tua forma de nuvem cinza
troveja e relampeia sem culpa
mas cheia de inquietude,
sobrevoando os céus
e olhando a grande massa inerte,
fosforescente,
cítrica,
que não estraga e nem embeleza,
que não cresce e nem diminui.
Ah, se as tuas águas banhassem aquelas almas lá de baixo...
Poderíamos ver as mudanças naquelas formas,
ver a inteligência esboçar um nascimento,
ver flores felizes ao desabrochar
e conviver com aquela massa,
que não tem graça,
que tem o âmago vazio,
a casca podre
com cores sem brilho
e uma enorme vontade de permanecer como está.
Imponha o respeito, com tua brava empostação.
Teus raios, tua fúria, teu áspero trovão...
qualquer coisa que faça a Terra tremer,
pois,
por mais que eles tentem voar e se tornar nuvens,
como tu és,
o máximo que conseguirão será esboçar um trovão rouco,
tímido,
longínquo,
que em nada poderá nos fazer pensar
em mudar o percurso rumo ao grande rochedo.
Sugestão de música: Nuvem cigana
Artista: Lô Borges & Milton Nascimento
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Não deixe o blog morrer
Só porque faz tempo que não posto nada. Música bacana, letra bacana, vídeo bacana.
Pullovers - 1932
Pullovers - 1932
terça-feira, 13 de abril de 2010
Tic...tac...tic...tac...
O tempo passa lento,
não encontro meu alento.
A ansiedade é o meu rebento e,
não me aguento: quero acelerar o tempo.
Girar os ponteiros do relógio o mais rápido possível
por um motivo compreensível
pois cheguei a tal nível de querer me sentir
sempre vivo.
Tão vivo como este céu azul de domingo,
numa manhã incrível,
onde as poucas nuvens correm aceleradas,
enquanto eu
só desejo desacelerar o maldito tempo
que me aprisiona quando quero estar à toa
e, quando acontece alguma coisa boa,
tictactictactictactictac
Acaba. E começa tudo de novo.
Tic...tac...tic...tac
O tempo passa lento,
não encontro meu alento.
A ansiedade é o meu rebento e,
não me aguento: quero acelerar o tempo.
Girar os ponteiros do relógio o mais rápido possível
por um motivo compreensível
pois cheguei a tal nível de querer me sentir
sempre vivo.
Tão vivo como este céu azul de domingo,
numa manhã incrível,
onde as poucas nuvens correm aceleradas,
enquanto eu
só desejo desacelerar o maldito tempo
que me aprisiona quando quero estar à toa
e, quando acontece alguma coisa boa,
tictactictactictactictac
Acaba. E começa tudo de novo.
Tic...tac...tic...tac
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